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Caminhos de Mogi: vila, caminho real e expansão

A primeira fotografia de Mogi das Cruzes em 1898, capturada na Rua Doutor Deodato Wertheimer Reprodução / Livro Memória Fotográfica de Mogi das Cruzes Quem ...

Caminhos de Mogi: vila, caminho real e expansão
Caminhos de Mogi: vila, caminho real e expansão (Foto: Reprodução)

A primeira fotografia de Mogi das Cruzes em 1898, capturada na Rua Doutor Deodato Wertheimer Reprodução / Livro Memória Fotográfica de Mogi das Cruzes Quem caminha com atenção pela região central de Mogi das Cruzes pode ver entre um prédio e outro pequenos sinais da a antiga Vila de Santa Anna de Mogy das Cruzes. As igrejas do Carmo, assim como os casarões do Carmo e da família Pinheiro Franco são lembranças de uma cidade que cresceu nas útlimas décadas e hoje tem prédios modernos. Uma nova cara, mas com um passado antigo e rico. Essa reportagem faz parte de uma série de matérias em comemoração aos 465 anos de Mogi das Cruzes comemorados nesta segunda-feira (1º). E assim como os prédios, todos os caminhos da cidade contam uma história. E a da rua Ipiranga é muito especial. Ela é parte do trecho mogiano que recebeu Dom Pedro I semanas antes da Proclamação da Independência. A via faz parte de um dos primeiros caminhos de ligação entre São Paulo e o Rio de Janeiro, chamada de "Caminho Real" ou "caminho velho". Mais do que uma estrada, tratava-se de uma rota utilizada para o transporte de mercadorias entre as vilas da época e servia para circulação de tropas e de autoridades entre o Litoral e o Interior. Dom Pedro I passou por Mogi das Cruzes em 23 de agosto de 1822, ou seja, 24 dias antes da Proclamação da Independência. De acordo com o diretor do Departamento Municipal de Patrimônio e Arquivo Histórico, Ubirajara Nunes, o então Princípe Regente do Brasil foi recebido pelo capitão mor da vila na igreja de Nossa Senhora da Escada, território que hoje pertence à Guararema. “Dom Pedro chega no fim da manhã e pernoita em Mogi, deixando a cidade na manhã seguinte. Só que até hoje a gente não sabe onde. Muitos falam que foi no casarão do Carmo ou até na igreja, mas não há registro nenhum. Há quem defenda que tenha sido na casa de Salvador Leite Ferraz, um tropeiro mogiano que, pode até ter integrado a comitiva imperial.” Durante a estadia do princípe na Vila de Mogy das Cruzes, ele assina um decreto que demitia um comandante de armas da província. De acordo com Isaac Grínberg, no livro ‘História de Mogi das Cruzes’, após esses acontecimentos, no dia 24 de agosto Dom Pedro segue viagem em direção à capital de São Paulo, para enfim terminar o que havia começado. No dia 7 de setembro o Brasil se torna uma nação independente, mas só na manhã seguinte que a notícia chega até a vila. “Às primeiras horas da manhã do dia 8 um escravo da Ordem do Carmo chega a Mogi trazendo a notícia.”, afirma Grínberg. A passagem de Dom Pedro I deixou marcas não apenas na memória, mas também no imaginário mogiano, reforçando a relevância da cidade no início do século XIX. A evolução dos caminhos Primeira planta feita para a cidade de Mogi das Cruzes Antônio do Nascimento Moura / Livro História de Mogi das Cruzes Mesmo com 465 anos de história, o primeiro registro oficial de um mapa de Mogi das Cruzes tem pouco mais de 100 anos, sendo feito apenas em 1901. Encomendado pela Prefeitura, ele mostra uma cidade com uma área urbana definida, e muito menor do que se encontra atualmente. “Essa planta é notadamente a primeira referência de um levantamento de arruamento da cidade. Diferentemente de outras cidades antigas, colônias, ou cidades históricas, Mogi não tem um mapa anterior, ou, se teve, ele se perdeu.” diz Ubirajara. A área urbana se concentrava na região da estação ferroviária e da Igreja Matriz, sem se estender para longe. A rua Ipiranga e a Travessa Olegário Paiva eram os limites da cidade. Além disso, não havia praticamente nada além de chácaras e o cemitério. “Com referência nessa planta de 1901, foi possível ir identificando terreno por terreno quem eram os proprietários, porque a cidade não cresceu tanto. Ela serve como base para as pesquisas do professor Jurandyr Ferraz de Campos, que remontou o que seria a Mogi de 1611.” E a partir desse mapa o historiador Jurandyr Ferraz de Campos recria a ocupação inicial da Vila de Santa Anna de Mogy das Cruzes, complementando a pesquisa do historiador José Teixeira Neto. A Igreja Matriz se encontra no centro, próximo da rua Direita, atualmente chamada de Doutor Paulo Frontin. Além disso, também faz referências a rios como o Ribeirão de Mogi Mirim e o Rio Negro, que cortam a região. *sob supervisão de Gladys Peixoto Mapa que mostra o que seria a ocupação inicial da Vila de Santa Anna de Mogy das Cruzes José Teixeira Neto / Jurandir Ferraz de Campos / Ubirajara Nunes Mogi das Cruzes apresenta Novo Sistema Viário Assista a mais notícias